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No
primeiro trimestre a economia desacelerou brutamente
Unificar
as lutas e construir uma campanha nacional
em solidariedade às categorias em greve
Editorial,
Praxis-Socialismo ou Barbárie Nº 21,
Julho de 2012
No
primeiro trimestre a economia desacelerou brutamente, o
crescimento do PIB foi de 0,2%. No mês de abril as exportações
tiveram uma redução de 8% em relação a abril de 2012.
Essa desaceleração atinge todos os setores da economia,
inclusive os considerados mais dinâmicos. Os pátios das
montadoras estão abarrotados de carros e já existem ameaças
de férias coletivas. No setor que vinha garantindo a alta
do PIB nos últimos anos - exportação de commodities - há
uma redução da demanda internacional dos países
importadores.
Enquanto o
governo Dilma protege os patrões, para os trabalhadores
reserva arrocho salarial, corte de investimentos nas áreas
sociais - só na educação foram cortados 2 bilhões no início
do ano - e se prepara mais ataques aos direitos trabalhistas.
Para responder as demandas dos capitalistas o governo Dilma
abaixa a taxa de juros, com o discurso de que essa medida
interessa toda a sociedade, mas sabemos que só serve aos
grandes capitalistas, porque essa redução não chega às
famílias dos trabalhadores endividadas, reduz impostos para
eletrodomésticos e carros, outra medida que desonera os
setores industriais que mais faturam.
A bola da vez
agora é a retomada da reforma trabalhista a través
direitos históricos. Governo, patrões e a maior central
brasileira operária brasileira - CUT - preventivamente
querem construir melhores condições para que em um
acirramento da crise todo o seu custo seja empurrado para os
trabalhadores sem que esses tenham os melhores instrumentos
para resistirem.
Por
uma campanha nacional em apoio às categorias em greve
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Os
trabalhadores têm encontrado uma situação desfavorável
em suas campanhas salariais, estudantis, por moradia ou
reforma agrária. Isso ocorre porque há uma orquestração
do Estado e do conjunto da classe dominante para impor uma
derrota à luta dos trabalhadores e da juventude. Esse
acordo, que se materializa entre o governo Dilma, governos
estaduais e patrões de vários ramos, objetiva manter a
situação política atual marcada por elementos reacionários.
Esses
elementos são compostos pela repressão policial, inclusive
com o uso de técnicas de espionagem e monitoramento
policial; criminalização, processamento e prisão dos
dirigentes, principalmente quando se trata de lutas que ameaçam
a propriedade das terras ou diretamente o poder político,
mesmo quando esse questionamento é local, como nos casos de
ocupação das reitorias[1] que mesmo dentro da legalidade
brasileira não significa um crime contra a propriedade
privada.
Essa
maquinaria política repressiva visa manter as altíssimas
taxas de lucro, garantias diante da crise econômica e também
que nos próximos anos - e os eventos esportivos são parte
dessa estratégia - padrões mais intensos de exploração e
novas fontes de enriquecimento sejamestabelecidos.
Apesar da política
da grande mídia e das burocracias sindicais para isolá-los,
e para que suas lutas e reivindicações não cheguem a
conhecimento da maioria dos trabalhadores, as greves e
outros conflitos acabam roubando a cena pela truculência
com a qual esses movimentos são tratados pelos patrões e
pelo governo.
Os
trabalhadores e a juventude, de forma fragmentada e sem uma
apoio político de nenhuma central com peso nacional, reagem
a essa situação com greves que em muitos casos ganham
aspectos heróicos, como é caso dos professores da Bahia, há
quase 80 dias em greve, Metroviários e Ferroviários da
Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU)[2],
Trabalhadores do Funcionalismo público Federal e estudantes
das Universidades Federais. São processos que se dão em
resposta a política econômica aplicada pelo governo e o
que se pode chamar de crise do modelo de dominação imposto
pela “era Lula”.
O caso da
recente (dia 23 de maio) da greve dos metroviários de São
Paulo é emblemático, pelo impacto que causa a paralisação
do metrô e pelo, consequente, poder específico que tem
essa categoria. Obrigaram a direção da empresa e o
tribunal regional do trabalho a negociar após apenas 15
horas de greve instalada. Mas, mesmo assim, a posição da
direção do sindicato foi suspender a greve diante da
proposta rebaixada apresentada pela empresa.
Nessa greve
ficou mais do que evidente que faltou da parte da direção
do sindicato (filiado a CSP-Conlutas) audácia política
para que a luta dos metroviários tivesse o necessário
efeito catalisador. Ou seja, a manutenção da greve por
mais alguns dias e o chamado a unificação da luta
colocaria a greve dos metroviários e dos demais
trabalhadores do sistema de transporte paulista em um
patamar qualitativamente superior.
Mesmo em uma
conjuntura desfavorável é possível, sem perder a noção
de correlação de forças concreta, aproveitar as
possibilidades de unificação e fortalecimento - mesmo que
regionalmente - das lutas para colocar patrões e governo
contra a parede. Essa possibilidade foi perdida no caso da
greve do metrô.[3]
No momento as
categorias que estão em greve enfrentam o governo e os patrões
sem que nenhuma das centrais, nem mesmo a CSP-Conlutas,
desenvolva uma campanha nacional em defesa dos que lutam, única
forma de encontrar pontos de apoio reais na luta de classes
para reverter a atual correlação de forças.
A forma
concreta para contribuir nessa direção é que a militância
das organizações políticas revolucionárias e os
sindicatos combativos se voltem para a defesa e
solidariedade de cada uma das lutas em curso, bem como para
desenvolver propostas e esforços com objetivo de unificar
as categorias em greve e para construir campanhas políticas
nacionais em defesa das reivindicações comuns das
categorias em luta e uma campanha nacional com eixos que
dizem respeito a toda a classe trabalhadora, tai como:
•
Contra a criminalização da luta. os processos e
indiciamentos políticos, os cortes de gastos na educação,
Reforma Trabalhista.
•
Pela recomposição geral dos salários, salário mínimo do
DIEESE, educação pública e gratuita para todos e em todos
os níveis, reforma agraria e urbana sob controle dos
trabalhadores.
Notas:
[1]
Um exemplo disso esta relatado no artigo dessa edição
Contra as prisões políticas dos estudantes da UNIFESP a
mando de DILMA e ALCKMIN.
[2]Os
Metroviários e ferroviários da Companhia Brasileira de
Trens Urbanos (CBTU). isto é, que as catracas fossem
liberadas. É claro que a proposta não foi aceita pela
empresa que tem por objetivo atingir o lucro máximo.
(http://www.brasildefato.com.br)
[3]
Veja maiores detalhes no artigo Trabalhadores do transporte
e servidores depois de ficarem quarenta dias em greve
voltaram ao trabalho por determinação do Superior Tribunal
do Trabalho (TST) com a alegação da antecipação do dissídio
coletivo para o dia 26. Essa greve abarcava os metrôs de
Belo Horizonte (MG) e Recife (PE), trens de Maceió (AL), João
Pessoa (PB) e Natal (RN). Metrôs e trens só operavam nos
horários de pico.
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